Cinco décadas dedicadas ao artesanato, uma história construída com criatividade, tradição e empreendedorismo. Essa é a trajetória do artesão José da Conceição Pereira, de São Raimundo Nonato, cidade localizada no sudeste do Piauí. Ele é proprietário da Arte em Madeira Coração de Negro, onde produz utensílios domésticos, acessórios, brincos, colares, chaveiros, imãs, entre outros produtos que carregam a história da Serra da Capivara.
Natural de Dom Inocêncio, José descobriu ainda na infância a paixão pelo trabalho manual. Aos cinco anos de idade, já confeccionava seus próprios brinquedos, inspirado pelos pais, que também eram artesãos. Na década de 70, mudou-se para São Raimundo Nonato, onde consolidou sua carreira e construiu uma história marcada pela valorização da cultura piauiense.

Há cerca de duas décadas, encontrou na madeira Coração de Negro a principal matéria-prima para suas criações, que têm como inspiração as pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara.
Para o diretor superintendente do Sebrae no Piauí, Mário Lacerda, a trajetória de José da Conceição Pereira demonstra como o artesanato pode aliar tradição, inovação e gestão para gerar desenvolvimento econômico.

“A história de José representa o que o Sebrae acredita e incentiva todos os dias: transformar talento em negócio, preservar a identidade cultural dos territórios e ampliar as oportunidades de mercado para os pequenos empreendimentos. É motivo de orgulho ver um artesão piauiense avançar e mostrar que investir em capacitação, inovação e sustentabilidade gera resultados concretos para os empreendedores”, destaca Lacerda.
José participa de muitas capacitações promovidas pelo Sebrae no Piauí e instituições parceiras. Os cursos e consultorias contribuíram para o aprimoramento das técnicas de produção, da gestão do negócio e da competitividade da empresa, gerando novas oportunidades de mercado.
Além das capacitações, o artesão participou de importantes eventos nacionais do setor, como a Fenearte, o Salão do Turismo, feiras no Rio de Janeiro e Salvador e da Feira da Unisol, experiências que ampliaram sua visão de mercado, estimularam a inovação e fortaleceram sua atuação como empreendedor.

“O artesanato sempre fez parte da minha vida. Mas foi quando comecei a investir em capacitação e na gestão do negócio que percebi o quanto era possível crescer sem perder nossa identidade. O apoio do Sebrae foi fundamental nesse processo. Aprendi a inovar, organizar melhor a produção, buscar novos mercados e agregar valor ao meu trabalho. Hoje, cada peça que produzo leva um pouco da história da Serra da Capivara e da cultura do nosso povo. Ver esse trabalho ser reconhecido em grandes eventos no Brasil é uma importante realização e me dá ainda mais motivação para continuar empreendendo e preservando nossa tradição” afirma José.
O apoio do Sebrae também foi decisivo para a estruturação do negócio e para a ampliação da capacidade produtiva. José modernizou a produção, com aquisição de maquinário, e vem alcançando resultados expressivos. Antes dessee investimento, eram produzidas cerca de cem peças por mês. Atualmente, a produção varia entre 900 e mil peças mensais, permitindo atender novos mercados, aumentar o faturamento e gerar mais oportunidades de trabalho.
Hoje, o empreendimento conta com quatro pessoas na linha de produção. A esposa do artesão produz biojoias confeccionadas com pequenos resíduos da madeira, inspiradas nas pinturas rupestres da Serra da Capivara, além de ser responsável pela gestão financeira do negócio. Os demais colaboradores atuam nas áreas de design, acabamento, processos técnicos e entalhe das peças, enquanto José faz os acabamentos finais e o controle de qualidade.
Serviço:
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