A crise provocada pelo Coronavírus tem aumentado o número de pequenos negócios que buscam empréstimo para se manter no mercado. De acordo com dados da 3ª edição da Pesquisa O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada de 30 de abril a 05 de maio, cresceu em 8 pontos percentuais a proporção de empresários que buscaram crédito, em relação à segunda edição do levantamento, feito de 03 a 07 de abril, na qual apenas 30% dos entrevistados de todo o país haviam tentado acessar crédito.
Nesta 3ª edição da pesquisa realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, FGV, foram ouvidos 10.384 Microempreendedores Individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o país. No Piauí, foram 91 entrevistados, dos quais quase 33% afirmam ter buscado crédito, índice semelhante ao da edição anterior que ficou em 34%.
Na contramão da alta demanda por crédito, está a dificuldade em obtê-lo. O estudo do Sebrae e da FGV mostra que 86% dos empreendedores do país que buscaram algum tipo de empréstimo tiveram o pedido negado (58%) ou continuam aguardando resposta (28%). No Piauí, 89% dos pequenos negócios tiveram o pedido negado (51%) ou continuam aguardando resposta (38%) Desde o início das medidas de isolamento, apenas 14% daqueles que solicitaram crédito no Brasil e 11% no Piauí tiveram sucesso na tentativa.
“O acesso ao crédito ainda é um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pequenos negócios. Muitas foram as medidas de governo já anunciadas para socorrer esses empreendimentos, mas a obtenção de empréstimos esbarra nas exigências das instituições financeiras. Atento a esse cenário, o Sebrae tem buscado alternativas para flexibilizar as condições para a tomada do crédito por parte dos pequenos negócios. A expectativa é que em breve sejam adotadas novas medidas para facilitar esse processo”, destaca o diretor superintendente do Sebrae no Piauí, Mário Lacerda.
O levantamento do Sebrae, além de apontar a dificuldade de acesso ao crédito, confirma também uma tendência já identificada em outras pesquisas da instituição, de que os donos de pequenos negócios têm uma cultura de evitar a busca de empréstimo. Mesmo com a queda acentuada no faturamento, 62% empreendedores brasileiros e 67% dos piauienses não buscaram crédito neste momento de crise.
Entre os que buscaram empréstimo no país, 88% o fizeram em instituições bancárias, enquanto no Piauí esse índice é de 100%, sendo a maior parte dos pedidos dos empreendedores piauienses direcionados ao Banco do Nordeste (49,2%), Caixa (46,4%), Banco do Brasil (38,1%) e Bradesco (17,6%).
Para o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, esse comportamento pode ter diversas razões, entre elas: as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas. “Por essa razão, o Sebrae está trabalhando para ampliar o número de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, Fampe. Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento. Queremos estender esse apoio a um número maior de empresários”, comenta Melles.
Ainda de acordo com o presidente do Sebrae, em pouco mais de 10 dias de operação do convênio firmado com a Caixa para a concessão de crédito assistido, com recursos do Fampe, foram realizadas 3.104 operações e concedidos R$ 267,9 milhões em crédito para pequenos negócios.
EFEITOS DA PANDEMIA NOS PEQUENOS NEGÓCIOS
A pesquisa revela ainda que as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios. No Brasil, 44% desses empreendimentos interromperam a operação do negócio, pois dependem do funcionamento presencial, enquanto no Piauí foram 55%. Outros 32% no país e 31% no Piauí mantêm o funcionamento com auxílio de ferramentas digitais e 12% no Brasil e 9% no Piauí mantêm funcionamento, apesar de não contar com estrutura de tecnologia digital. Apenas 11%, no Brasil, e 5%, no Piauí, conseguiram manter a operação sem alterações, por estarem entre os segmentos listados como serviços essenciais.
Com relação ao faturamento dos negócios, o Piauí seguiu a média nacional, com a maioria dos donos de pequenas empresas (89%) apontando uma queda na receita mensal. Para tentar superar esse momento, as empresas piauienses estão lançando mão de diferentes recursos. Para 32% delas, a alternativa foi passar a realizar vendas online, com o uso das redes sociais, 10% disseram ter começado a gerenciar as contas da empresa por meio de aplicativos e 7% passaram a realizar vendas online por aplicativos de entrega.
Quanto à gestão dos recursos humanos das empresas, 16% dos pequenos negócios piauienses tiveram de demitir funcionários nos últimos 30 dias, em razão da crise. 54% das empresas com empregados suspenderam o contrato de trabalho; outros 24% deram férias coletivas; 14% reduziram a jornada de trabalho com redução de salários; e 11% reduziram salários com complemento do seguro-desemprego, alternativa prevista na MP 936.
PERDAS POR SEGMENTO
A pesquisa avaliou a perda média de faturamento dos pequenos negócios do país, de acordo com o segmento de atuação. Embora todos os setores tenham registrado perdas, elas foram mais sensíveis na atividade da Economia Criativa – eventos e produções (-77%), Turismo (-75%) e Academias de Ginástica (-72%). Já os segmentos com menor perda de faturamento, de acordo com o estudo, foram Pet Shops e Serviços Veterinárias (-35%), Agronegócio (-43%) e Oficinas e Peças Automotivas (-48%).
A pesquisa completa está disponível no endereço eletrônico https://datasebrae.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Impacto-do-coronavírus-nas-MPE-3ªedicao_UF.pdf .
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